Glauber Rocha

Glauber Andrade Rocha foi um dos integrantes mais importantes do Cinema Novo, movimento iniciado no começo dos anos 1960. Com o princípio de “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, deu nova identidade ao cinema brasileiro. Cursou o primário em Vitória da Conquista e, em 1947, mudou-se com a família para Salvador.

Em 1957, Glauber entrou para a Faculdade de Direito da Universidade da Bahia, que cursou até terceiro ano. Com poucos recursos, filmou Pátio, utilizando sobras de material de Redenção, de Roberto Pires. Em 1958, trabalhou como repórter no Jornal da Bahia, assumindo depois a direção do Suplemento Literário.

Trabalhou na produção de A grande feira, de Roberto Pires e de Barravento, de Luiz Paulino dos Santos, filme que acabou dirigindo depois de refazer o roteiro. Finalizou Barravento, no Rio de Janeiro, com Nelson Pereira dos Santos. O filme foi premiado na Europa e exibido no Festival de Cinema de Nova York. Em 1963, filmou Deus e o diabo na terra do Sol, que concorreu à Palma de Ouro no Festival do Filme em Cannes do ano seguinte, perdendo para uma comédia musical francesa.

Em 1965, Glauber Rocha participou da fundação da Produções Cinematográficas Mapa Ltda, depois Mapa Filmes do Brasil, junto com Zelito Viana, Walter Lima Jr. e outros. Filmou Terra em transe, que chegou a ser proibido, mas foi liberado sob algumas condições. Exibido no Festival de Cannes, o filme ganhou os prêmios Luis Buñuel e o da Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica

Em 1969, O Dragão da maldade contra o santo guerreiro foi exibido no Festival de Cannes e Glauber ganhou o prêmio de melhor diretor. Além desse, o filme ganhou muitos outros prêmios importantes. Ainda na Europa, o cineasta recebeu dois convites para filmar. Um do produtor espanhol Pedro Fages e outro de Claude Antoine. Em 1970, Glauber Rocha rodou, na região da Catalunha, o filme Cabeças cortadas.

Voltou ao Brasil, mas o crescimento da repressão o desestimulou. Em 1971 Glauber partiu para o exílio. Na Universidade Columbia, em Nova York, apresentou a tese Eztetyka do sonho. No Chile, filmou um documentário sobre os brasileiros exilados, não concluído.

Glauber Rocha foi um cineasta controvertido e incompreendido no seu tempo, além de ter sido patrulhado tanto pela direita como pela esquerda brasileira. Ele tinha uma visão apocalíptica de um mundo em constante decadência e toda a sua obra denotava esse temor. Para o poeta Ferreira Gullar, “Glauber se consumiu em seu próprio fogo”.

Glauber faleceu de problemas broncopulmonares, aos 42 anos.

Fechar Menu